Compare a taxa da sua dívida com o rendimento líquido do investimento e descubra o que faz mais sentido para o seu dinheiro hoje.
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Sobrou dinheiro e você tem dívida. Quitar ou investir? A resposta cabe numa comparação:
Se a taxa da dívida for maior que o rendimento líquido do investimento, quite. Se for menor, invista.
O detalhe que inverte muita decisão é a palavra líquido. O investimento paga imposto; a dívida, não. Um CDB que rende 14% ao ano vira algo perto de 11,9% depois do IR de 15%. Já uma dívida de 14% ao ano custa 14% cheios.
Por isso a economia de quitar é maior do que parece — e é garantida, enquanto o rendimento futuro é estimativa.
| Dívida | Taxa típica | Quitar rende o equivalente a |
|---|---|---|
| Rotativo do cartão | 13,5% a.m. | mais de 350% ao ano |
| Cheque especial | 8% a.m. | cerca de 150% ao ano |
| Crédito pessoal | 3,5% a.m. | cerca de 51% ao ano |
| Consignado | 1,8% a.m. | cerca de 24% ao ano |
| Financiamento imobiliário | 9,5% a.a. | 9,5% ao ano |
Nas quatro primeiras linhas não há discussão: nenhum investimento conservador chega perto. Quitar cartão e cheque especial é a melhor "aplicação" disponível no Brasil, com risco zero.
O caso que exige conta de verdade é o financiamento imobiliário. Uma dívida a 9,5% ao ano contra um investimento que renda 14% bruto — ou seja, perto de 11,9% líquido — parece favorecer investir.
Mas há dois pontos a considerar antes:
Uma saída equilibrada: manter a reserva de emergência intacta, amortizar uma parte e investir o restante. Não é preciso escolher tudo ou nada.
Existe uma prioridade que vem antes das duas opções. Sem reserva de emergência, qualquer imprevisto — pneu, dentista, mês sem trabalho — volta a virar dívida cara, e você recomeça do zero.
Ordem que funciona:
Se a decisão for quitar, não pague o saldo cheio sem perguntar. Você tem direito à redução proporcional dos juros na quitação antecipada — a dívida deve ser recalculada trazendo as parcelas futuras a valor presente.
Peça o valor para quitação à vista por escrito, compare com o saldo devedor atualizado e confirme a baixa depois do pagamento.
Investir enquanto se paga rotativo de cartão. É matematicamente impossível ganhar: nenhum investimento acessível a pessoa física rende 13,5% ao mês, e a dívida cresce nessa velocidade. Enquanto ela existir, todo real aplicado está rendendo negativo.
Se esse é o seu caso, a rota é outra: leia como sair do rotativo na calculadora de juros do cartão.
E se a dívida tiver taxa parecida com o investimento?
Empate técnico pende para quitar, porque a economia é garantida e o rendimento é incerto — além de a dívida trazer risco de inadimplência e desgaste emocional.
Vale a pena investir para depois quitar?
Só quando o investimento rende mais que a dívida, o que praticamente não acontece em crédito de varejo no Brasil.
Quitar melhora meu score?
Reduz o endividamento e ajuda em análises futuras, mas o ganho principal é a economia de juros.
Taxas de referência usadas para fins didáticos; as reais variam por instituição e perfil. Conteúdo educativo, não constitui recomendação de investimento nem consultoria financeira.
A conta da rescisão muda completamente conforme o motivo do desligamento. Este é o mapa das verbas:
| Verba | Sem justa causa | Pedido de demissão | Acordo (484-A) |
|---|---|---|---|
| Saldo de salário | Sim | Sim | Sim |
| 13º proporcional | Sim | Sim | Sim |
| Férias proporcionais + 1/3 | Sim | Sim | Sim |
| Aviso prévio | Integral | Devido por você | Metade |
| Multa do FGTS | 40% | Não | 20% |
| Saque do FGTS | 100% | Não | 80% |
| Seguro-desemprego | Sim | Não | Não |
Por isso a diferença entre "pedir demissão" e "ser demitido" pode chegar a vários salários. E por isso o acordo do artigo 484-A, criado em 2017, é um meio-termo: você recebe menos que numa demissão sem justa causa, mas mais que pedindo as contas.
Salário de R$ 3.000, 2 anos e 4 meses de casa, demitido sem justa causa no dia 10 do mês:
| Verba | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Saldo de salário | 10 dias trabalhados | R$ 1.000,00 |
| Aviso prévio indenizado | 30 dias + 3 por ano = 36 dias | R$ 3.600,00 |
| 13º proporcional | 4/12 avos | R$ 1.000,00 |
| Férias proporcionais | 4/12 avos | R$ 1.000,00 |
| 1/3 constitucional | sobre as férias | R$ 333,33 |
| Multa de 40% do FGTS | sobre ~R$ 6.720 depositados | R$ 2.688,00 |
| Total bruto | R$ 9.621,33 | |
| + saque do FGTS | saldo da conta vinculada | R$ 6.720,00 |
Sobre o total bruto ainda incidem INSS e Imposto de Renda em algumas verbas — e é aqui que muita gente se perde. Férias indenizadas, 1/3 constitucional, aviso prévio indenizado e a multa de 40% do FGTS não sofrem desconto de INSS. O 13º é tributado separadamente. A calculadora acima já aplica essas regras.
Desde a Lei 12.506/2011, o aviso prévio é de 30 dias e ganha 3 dias por ano completo de trabalho na mesma empresa, até o limite de 90 dias. Com 2 anos de casa, são 36 dias; com 10 anos, 60 dias; com 20 anos ou mais, o teto de 90.
Se for indenizado (você não trabalha o período), o tempo do aviso conta como tempo de serviço para todas as outras verbas — inclusive para os avos de 13º e férias.
Justa causa: recebo alguma coisa?
Apenas saldo de salário e férias vencidas com 1/3, se houver. Sem 13º proporcional, sem multa, sem saque do FGTS e sem seguro-desemprego.
Fui demitido durante o aviso prévio trabalhado. E agora?
O empregador deve indenizar os dias restantes, e o período segue contando como tempo de serviço.
Estou grávida / em estabilidade. Vale o mesmo cálculo?
Não. Casos de estabilidade (gestante, acidente de trabalho, cipeiro) têm regras próprias e podem gerar direito à reintegração ou à indenização do período estável. Procure orientação jurídica.
A calculadora serve como documento oficial?
Não. É uma simulação educativa para você conferir os valores antes de assinar. Em caso de divergência, procure o sindicato da categoria ou um advogado trabalhista.
Meus dados salariais ficam gravados?
Não. Tudo é calculado no seu navegador e nada é enviado para servidores.
Os valores citados sao exemplos calculados para fins didaticos e nao constituem oferta de credito, consultoria juridica ou recomendacao de investimento. Condicoes reais variam conforme a instituicao, o seu perfil e a legislacao vigente.