Duas propostas de empréstimo chegam com a mesma taxa de juros: 3,5% ao mês. A parcela é idêntica nas duas, R$ 622,73. Parece indiferente escolher uma ou outra — e é exatamente aí que a maior parte das pessoas perde dinheiro. Numa delas, o custo real é 28% maior.
A diferença não está na taxa. Está no que o banco cobra por fora dela. E existe um número que junta tudo num só: o Custo Efetivo Total, o CET.
O CET é a taxa que representa o custo completo de uma operação de crédito: juros, tarifas, impostos e seguros, tudo dentro de um único percentual. Ele foi instituído pela Resolução CMN nº 3.517, de 2007, justamente porque a taxa de juros isolada permitia que instituições anunciassem números atraentes e cobrassem o resto em rubricas separadas.
Pela norma, a instituição é obrigada a informar o CET antes da contratação, na forma de taxa anual. Você tem o direito de exigir esse número por escrito — e a recusa em fornecê-lo já diz muito sobre a proposta.
Você pede R$ 10.000 para pagar em 24 meses. Os dois bancos cobram 3,5% ao mês e ambos chegam à mesma parcela de R$ 622,73. A diferença está nas tarifas, que são descontadas do valor liberado:
| Banco A | Banco B | |
|---|---|---|
| Taxa anunciada | 3,5% a.m. | 3,5% a.m. |
| Tarifa de cadastro | R$ 50 | R$ 800 |
| Seguro prestamista | — | R$ 200 |
| Dinheiro que cai na conta | R$ 9.950 | R$ 9.000 |
| Parcela | R$ 622,73 | R$ 622,73 |
| Total pago em 24 meses | R$ 14.945,48 | R$ 14.945,48 |
| CET real | 3,55% a.m. (51,9% a.a.) | 4,53% a.m. (70,2% a.a.) |
Repare no detalhe que engana: o total pago é exatamente igual nos dois casos. O que muda é quanto você recebeu. No Banco B, você pagou os mesmos R$ 14.945,48 para levar R$ 950 a menos para casa. É por isso que o CET salta de 3,55% para 4,53% ao mês — quase um ponto percentual, ou 18 pontos ao ano.
Se as tarifas forem financiadas em vez de descontadas, o efeito aparece na parcela: você passa a pagar juros sobre a própria tarifa, durante todo o contrato.
O CET é a taxa interna de retorno do fluxo de caixa da operação: aquela taxa que faz o valor efetivamente liberado igualar o valor presente de todas as parcelas e encargos. Matematicamente, é a raiz de um polinômio de grau igual ao número de parcelas. Não existe fórmula fechada — resolve-se por aproximações sucessivas, com métodos como Newton-Raphson.
Traduzindo: nem o gerente calcula isso na ponta do lápis. Ele lê o número que o sistema entrega. Você pode chegar ao mesmo resultado em segundos com a calculadora de empréstimo com CET: informe o valor, o prazo, a taxa e as tarifas, e ela devolve o custo efetivo real da proposta.
Se já tem um contrato caro em andamento, a portabilidade de crédito permite transferir a dívida para outra instituição com taxa menor. O banco de origem não pode recusar nem cobrar tarifa por isso, e precisa fornecer o saldo devedor atualizado quando você pedir.
Na prática, a portabilidade funciona melhor como instrumento de negociação: quando você chega com uma proposta concorrente na mão, o banco atual costuma cobrir a oferta para não perder o contrato. Vale para consignado, financiamento imobiliário e de veículo.
O CET pode ser menor que a taxa de juros?
Não. Como ele soma encargos à taxa, o CET é sempre igual ou maior. Se vier menor, há erro na simulação.
O banco é obrigado a informar o CET?
Sim, antes da contratação e na forma de taxa anual. Você pode exigir por escrito.
Sou obrigado a contratar o seguro prestamista?
Não. Condicionar a liberação do crédito à compra do seguro é venda casada, vedada pelo Código de Defesa do Consumidor. O que o banco pode fazer é oferecer condição melhor para quem contrata — e aí a comparação volta a ser pelo CET.
Vale a pena quitar antecipadamente?
Quase sempre. Na quitação antecipada você tem direito à redução proporcional dos juros — não pague o saldo "cheio" sem exigir o desconto.
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Os valores deste artigo são exemplos calculados para fins didáticos e não constituem oferta de crédito nem recomendação de investimento. Consulte as condições vigentes na instituição financeira.