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CET (Custo Efetivo Total): o único número que importa na hora de comparar empréstimos

Atualizado em 6 de agosto de 2026 · Por Cleiton Souza · Como calculamos

Duas propostas de empréstimo chegam com a mesma taxa de juros: 3,5% ao mês. A parcela é idêntica nas duas, R$ 622,73. Parece indiferente escolher uma ou outra — e é exatamente aí que a maior parte das pessoas perde dinheiro. Numa delas, o custo real é 28% maior.

A diferença não está na taxa. Está no que o banco cobra por fora dela. E existe um número que junta tudo num só: o Custo Efetivo Total, o CET.

O que é o CET e por que ele existe

O CET é a taxa que representa o custo completo de uma operação de crédito: juros, tarifas, impostos e seguros, tudo dentro de um único percentual. Ele foi instituído pela Resolução CMN nº 3.517, de 2007, justamente porque a taxa de juros isolada permitia que instituições anunciassem números atraentes e cobrassem o resto em rubricas separadas.

Pela norma, a instituição é obrigada a informar o CET antes da contratação, na forma de taxa anual. Você tem o direito de exigir esse número por escrito — e a recusa em fornecê-lo já diz muito sobre a proposta.

Exemplo real: mesma taxa, mesma parcela, custo diferente

Você pede R$ 10.000 para pagar em 24 meses. Os dois bancos cobram 3,5% ao mês e ambos chegam à mesma parcela de R$ 622,73. A diferença está nas tarifas, que são descontadas do valor liberado:

 Banco ABanco B
Taxa anunciada3,5% a.m.3,5% a.m.
Tarifa de cadastroR$ 50R$ 800
Seguro prestamistaR$ 200
Dinheiro que cai na contaR$ 9.950R$ 9.000
ParcelaR$ 622,73R$ 622,73
Total pago em 24 mesesR$ 14.945,48R$ 14.945,48
CET real3,55% a.m. (51,9% a.a.)4,53% a.m. (70,2% a.a.)

Repare no detalhe que engana: o total pago é exatamente igual nos dois casos. O que muda é quanto você recebeu. No Banco B, você pagou os mesmos R$ 14.945,48 para levar R$ 950 a menos para casa. É por isso que o CET salta de 3,55% para 4,53% ao mês — quase um ponto percentual, ou 18 pontos ao ano.

Se as tarifas forem financiadas em vez de descontadas, o efeito aparece na parcela: você passa a pagar juros sobre a própria tarifa, durante todo o contrato.

O que entra no cálculo do CET

Por que você não consegue calcular o CET de cabeça

O CET é a taxa interna de retorno do fluxo de caixa da operação: aquela taxa que faz o valor efetivamente liberado igualar o valor presente de todas as parcelas e encargos. Matematicamente, é a raiz de um polinômio de grau igual ao número de parcelas. Não existe fórmula fechada — resolve-se por aproximações sucessivas, com métodos como Newton-Raphson.

Traduzindo: nem o gerente calcula isso na ponta do lápis. Ele lê o número que o sistema entrega. Você pode chegar ao mesmo resultado em segundos com a calculadora de empréstimo com CET: informe o valor, o prazo, a taxa e as tarifas, e ela devolve o custo efetivo real da proposta.

Os quatro truques que inflam o custo sem mexer na taxa

  1. "A partir de X% ao mês." Essa taxa costuma valer para o melhor perfil de crédito, com prazo curto e entrada alta. A sua será outra. Só o CET do contrato assinado vale.
  2. Seguro embutido sem aviso. Apareceu "proteção financeira" ou "prestamista" na simulação sem você ter pedido? Peça a proposta sem ele e compare os dois CETs.
  3. Prazo esticado. Alongar de 36 para 60 meses derruba a parcela e sobe muito o total pago. Parcela menor não é crédito mais barato.
  4. Tarifa financiada. Quando a TC entra no valor financiado, você paga juros sobre ela até o fim do contrato.

Como comparar duas propostas em três passos

  1. Peça o CET anual por escrito das duas — é um direito seu, previsto na regulamentação do Banco Central.
  2. Padronize o prazo. Comparar 24 meses com 48 meses não diz nada. Peça as duas simulações no mesmo número de parcelas.
  3. Confira quanto cai na conta. Se um banco libera R$ 9.000 e o outro R$ 9.950 pela mesma parcela, a decisão já está tomada.

Portabilidade: a carta que você esquece de jogar

Se já tem um contrato caro em andamento, a portabilidade de crédito permite transferir a dívida para outra instituição com taxa menor. O banco de origem não pode recusar nem cobrar tarifa por isso, e precisa fornecer o saldo devedor atualizado quando você pedir.

Na prática, a portabilidade funciona melhor como instrumento de negociação: quando você chega com uma proposta concorrente na mão, o banco atual costuma cobrir a oferta para não perder o contrato. Vale para consignado, financiamento imobiliário e de veículo.

Erros que custam caro

Perguntas frequentes

O CET pode ser menor que a taxa de juros?
Não. Como ele soma encargos à taxa, o CET é sempre igual ou maior. Se vier menor, há erro na simulação.

O banco é obrigado a informar o CET?
Sim, antes da contratação e na forma de taxa anual. Você pode exigir por escrito.

Sou obrigado a contratar o seguro prestamista?
Não. Condicionar a liberação do crédito à compra do seguro é venda casada, vedada pelo Código de Defesa do Consumidor. O que o banco pode fazer é oferecer condição melhor para quem contrata — e aí a comparação volta a ser pelo CET.

Vale a pena quitar antecipadamente?
Quase sempre. Na quitação antecipada você tem direito à redução proporcional dos juros — não pague o saldo "cheio" sem exigir o desconto.

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Os valores deste artigo são exemplos calculados para fins didáticos e não constituem oferta de crédito nem recomendação de investimento. Consulte as condições vigentes na instituição financeira.

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